Visita aos Estúdios de Walt Disney, em Burbank, Califórnia

Postado no dia 9/1/2012

Desde criança gosto das artes, mas tenho um verdadeiro fascínio pelo assunto animação. É fato que poucas pessoas têm o privilégio de conhecer os famosos Estúdios de Walt Disney, em Burbank. Mas como o próprio Walt dizia, “se você pode sonhar, pode realizar”. Por meio do D23, um fã clube internacional, consegui, juntamente como a minha esposa Maria Eduarda, participar dessa visita tão reservada em novembro de 2011.

No dia marcado, como estávamos de carro, fui dirigindo até Burbank. A entrada fica em frente aos atuais estúdios de animação, hoje são chamados de “Roy E. Disney Animation Building”, em homenagem póstuma ao filho de Roy O. Disney, irmão e sócio de Walt, que, como o pai, presidiu os estúdios. A arquitetura do prédio é fantástica!

Após pararmos o carro, fomos a pé, passando por alguns “stages” enormes, até a Mickey Ave, onde está instalado o Hyperion Bungalow - uma pequena casa de madeira, trazida dos antigos estúdios da Hyperon Ave, em Hollywood. No local também foram produzidos as Silly Symphonies, os curtas do Mickey Mouse e Branca de Neve e os Sete Anões. Esta pequena casa, atualmente usada como sala de reuniões e eventos, foi durante anos a sede do departamento de publicidade e depois dos “Comics Strips”, as tiras em quadrinhos com os personagens Disney.


A atmosfera dos Estúdios é mágica. Tudo é muito calmo, limpo e cheio de árvores (algumas com frutas) e todos os prédios, apesar de a maioria ser da década de 1940, estão muito bem conservados.

Seguimos pela Mickey Ave em direção à Dopey Drive (Dunga em português). Paramos em frente à placa indicativa bem famosa, que inclusive o próprio Walt pousou para muitas fotos ali. A placa, no entanto, não é uma placa indicativa de direções, mas apenas uma peça publicitária produzida exclusivamente para o filme “The Reluctant Dragon”, de 1942.

 

Dobrando a esquina, na Dopey Dr, passamos em frente ao Stage 1, o primeiro dos Estúdios de filmagem ao vivo com som direto, onde foi feita a filmagem da parte ao vivo do clássico “Fantasia”. Logo em seguida chegamos ao cinema, hoje todo reformado com altíssima tecnologia. Lá são estreados os filmes, sempre em primeira mão para os colaboradores dos Estúdios.

Em frente ao cinema, fica o Animation Buiding, o prédio mais histórico de todos, pois ali foram criados e animados os clássicos Disney que todos conhecemos (de Pinóquio à Pequena Sereia), além de ser a “casa” dos grandes mestres animadores, como Ward Kimball, Frank Thomas, Ollie Jonhston, Marc Davis, Milt Khal. Era também o prédio aonde o próprio Walt tinha os escritórios (um formal, para receber os visitantes ilustres e outro informal em que trabalhava).

 
 

Entrando, pudemos ver vários quadros com explicações de como são produzidos os desenhos, entretanto, já não são mais produzidos neste prédio e sim em no outro já mencionado, muito mais moderno, mas sem a mínima possibilidade de visita devido ao sigilo das produções.
Os escritórios do Animation Building, que outrora serviram de escritórios para os grandes animadores, hoje servem às inúmeras companhias terceirizadas que trabalham para a Disney e por isso não pudemos entrar (além do que era sábado e tudo estava fechado).


Voltamos um pouco e descemos por uma escada que nos levou a um túnel, chamado “the Morgue” (algo como tumba, em inglês), o apelido que a turma da animação deu ao “porão” do Animation Buiding. Esse túnel, na verdade, era para conduzir de forma protegida o material produzido do prédio da animação até o prédio Ink and Paint, pois antigamente os desenhos em celuloide  eram manualmente pintados nesse local.

Havia no topo do Animation Building o “Penthouse Club” apenas para homens, que dificilmente teriam acesso ao prédio do Ink and Paint, onde só trabalhavam mulheres. Coisas da época...

Passamos por mais alguns prédios, como o prédio da edição, do departamento de câmera e o prédio que era usado pelo pessoal que fazia os curtas-metragens (os desenhos do Mickey, Pluto, Pateta e Donald). Passamos também por vários “Stages” onde foram filmados muitos dos filmes de sucesso do passado, como Mary Poppins e do presente, como Diário da Princesa 1 e 2 (todos estrelados por Julie Andrews, cujo nome foi homenageado no Estúdio – Stage Julie Andrews).

Chegamos, por fim, aos prédios modernos dentro do lote. São dois: o Frank Wells e o Michael Eisner, homenagens à dupla que trabalhou na recuperação do Império Disney na década de 80, quando os Estúdios enfrentaram sérios problemas decorrentes de má gestão aliados a projetos mal sucedidos, sobretudo nas telas de cinema.

O primeiro prédio, o Frank Wells, abriga, dentre outras coisas o Walt Disney Archives, o ponto alto de nossa visita. Lá dentro fomos recebidos por Dave Smith, o veterano fundador dos Archives (1970) e que, infelizmente, se aposentará neste ano de 2011.

Além de fazer algumas brincadeiras, nos trouxe três peças raríssimas e incríveis, que somente estando lá poderíamos ter acesso tão de perto: um Oscar original, recebido por Walt por True Life Adventures (melhor documentário), o primeiro ingresso da Disneyland e o script original de Steamboat Willie, o primeiro desenho do Mickey e que é também o primeiro desenho animado sonoro do mundo (aquele onde ele aparece no timão de um barco a vapor e que hoje é a logo do Disney Animation Studio). O script é todo desenhado a lápis grafite com textos datilografados e rabiscado em lápis vermelho pelo próprio Walt Disney.

Saindo deste prédio, entramos na Legend Plaza, que dá para o prédio Michael Eisner, aquele onde os Sete Anões fazem as funções de pilares (são imensos, com uns 4 metros cada). Isso, conceitualmente, porque os Estúdios Disney de Burbank, construídos em 1940 foram viabilizados graças ao sucesso de Branca de Neve e os Sete Anões, que faturou mais de 8 milhões de dólares (uma verdadeira fortuna na época) e que proporcionou a compra do lote de 25 acres em Burbank (usado até hoje) e a construção de boa parte dos prédios (também ainda em uso).

Saindo daí, após aproximadamente três horas, retornamos com uma impressão maravilhosa de ter conhecido um lugar realmente mágico, especial, que transborda energia criativa onde todo um mundo de sonhos foi criado e trazido até nós e que, certamente, será perpetuado pelas gerações que virão no compromisso de uma empresa que coloca as ideias acima de tudo. Ao olhar para a caixa d’água com o Mickey Mouse, marca registrada dos Estúdios, lembrei o que Walt sempre dizia em suas entrevistas, ainda quando a Disney nem sonhava em ser o império que é hoje, “Olhando tudo isso, nãos consigo deixar de lembrar que tudo começou com um ratinho”.

 

(Texto: Pedro Cherem. Fotos: Maria Eduarda Cherem).


Pedro Cherem

Pedro Cherem

Desenhista de origem, com passagens pela animação, onde tive o primeiro estúdio de desenhos animados de SC, direção de arte, mídia, redação, e agora, atendimento. Quase arquiteto, fã de Walt Disney e enrolador de violão. Gosto de viajar pelo mundo e trazer tudo o que vejo por aí pra dentro da Mercado.

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